Superdotação: A Maldição do "Potencial Desperdiçado"

O que Ninguém te Contou sobre ser uma Mulher Superdotada.

Evelyn Brandão

1/9/20262 min read

Você já ouviu que é "intensa demais", "rápida demais" ou que "pensa em coisas que ninguém mais está vendo"? Muitas mulheres chegam à vida adulta carregando o peso de um intelecto vibrante que nunca foi devidamente nomeado. Elas não se sentem "super", sentem-se inadequadas.

A Superdotação em mulheres é, frequentemente, uma jornada de solidão intelectual e camuflagem social. É ter um motor de Ferrari em um corpo que a sociedade insiste em tratar como um carro popular.

O Fenômeno da Multipotencialidade e a Hipersensibilidade

Diferente do mito do gênio solitário, a mulher com AH/SD apresenta características que muitas vezes são confundidas com ansiedade ou instabilidade emocional:

  • Assincronia: Você pode ter uma capacidade intelectual brilhante, mas sentir que seu lado emocional ainda está processando frustrações de forma intensa. É o descompasso entre o "saber" e o "sentir".

  • Excitabilidade (Overexcitabilities): Proposto por Dabrowski e amplamente validado na clínica, mulheres superdotadas sentem o mundo com uma voltagem maior — seja na imaginação, na sensibilidade sensorial ou na indignação ética.

  • Síndrome da Impostora: Como você aprende rápido, tende a achar que o que faz "não é para tanto", invalidando sua própria capacidade e sofrendo por não atingir uma perfeição inalcançável.

Por que a Avaliação Neuropsicológica é Vital?

Para uma mulher superdotada, a avaliação não serve para "exibir um QI". Ela é um diagnóstico diferencial essencial por três motivos:

  1. Identificação de Dupla Excepcionalidade: É muito comum que a AH/SD venha acompanhada de TDAH ou TEA. Sem a avaliação, um esconde o outro, gerando um tratamento incompleto.

  2. Mapeamento de Perfil Cognitivo: Entender onde estão seus picos de performance e onde estão suas lacunas ajuda a parar de se cobrar por não ser perfeita em absolutamente tudo.

  3. Justiça Histórica: Nomear a AH/SD permite que você ressignifique sua trajetória escolar e profissional, trocando o rótulo de "estranha" pelo de "mente de alto processamento".

TCC e a Terapia Especializada: Domando a Intensidade

Ter um QI acima da média não protege ninguém do sofrimento emocional. Pelo contrário, pode amplificá-lo. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) para AH/SD foca em:

  • Gestão do Perfeccionismo: Trabalhar a aceitação do "bom o suficiente" para evitar a paralisia analítica.

  • Regulação Emocional: Desenvolver estratégias para lidar com a intensidade das "excitabilidades" sem se sentir sobrecarregada pelo mundo.

  • Projetos de Vida: Ajudar a organizar a multipotencialidade para que você consiga finalizar seus projetos sem se perder em mil novos interesses.

Você passou a vida tentando diminuir o brilho para não ofuscar os outros. Talvez seja hora de entender como esse brilho funciona e aprender a direcioná-lo.